quinta-feira, 13 de junho de 2013

Comprando Gato por Lebre


Uma grande consultoria de TI havia aberto algumas vagas para desenvolvedor de programas sênior, para reforçar a equipe da fábrica de software.

Uma das entrevistadas, uma senhora com idade avançada, garantiu em entrevista técnica que tinha capacidade de desenvolver 12 (eu disse DOZE!) programas de nível médio em apenas 1 dia (isso mesmo: UM DIA!).

Os coordenadores conversaram intrigados após a entrevista:

Coordenador 1 - Pô, doze programas médios em um dia? Não é lorota???

Coordenador 2 - Pensa bem: ela tem experiência! Vamos contratar que, mesmo que ela faça metade, já serão 6 programas por dia!!!

Coordenador 1 - Tem razão! Fecha lá!

E eis que a contratação aconteceu. Todos felizes, as expectativas seriam atendidas, a demanda que estava encalhada escoaria e poderiam faturar horrores com a nova galinha dos ovos de ouro.

Mas isso era a expectativa. Na realidade, tudo que foi aparecendo na frente da nova contratada era problema. Pequenos problemas de ambiente se tornavam casos insolúveis ou demorados de se resolver. A configuração de equipamento que havia sido prometido ser resolvida com um braço nas costas custou pra se resolver com mais outros oito. 

Claro que após um mês, tudo enfim foi resolvido, o ambiente estava pronto, os acessos, os equipamentos e a pilha de trabalho pronta para ser reduzida e a já não tão nova contratada daria conta daqueles programas e dos muitos outros que aguardavam para ser desenvolvidos.

Mas isso era a expectativa. O primeiro programa médio demorou não um dia, mas uma semana! E quando na semana seguinte o segundo programa começava a ser elaborado no mesmo ritmo, o primeiro voltava por apresentar vários problemas. 

Assim sucederam as quatro semanas seguintes: um programa levava uma semana pra ser terminado e se acumulava com os anteriores que estavam com erro e não podiam ser entregues. Para sorte da consultoria atual, ela conseguiu emprego em outra empresa e pedia as contas, para azar da outra empresa. 

Após este e outros tantos processos de contratação que acompanhei ou participei, fica cada vez mais claro a grande necessidade de haver testes que comprovem, dentro dos padrões das empresas contratantes, a real capacidade dos entrevistados. Não só verbalmente ou o que está escrito no currículo, mas em testes e exercícios que possam avaliar e qualificar apropriadamente um colaborador.

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